4 lições que “Hatsune Miku” nos ensinou quase 10 anos depois de seu lançamento

Quase uma década depois e você ainda não sabe de quem estamos falando? Não se preocupe: este artigo foi feito para você

 

Hatsune Miku (no idioma japonês “初音ミク”) pode ser descrita, em termos gerais, como uma “vocaloid” dublada por um sintetizador de voz que foi desenvolvido pela Crypton Future Media, isto é, um “Character Vocal” (um personagem vocal).

Ou, deixando essa explicação mais técnica e indo em direção a algo mais voltado ao mundo prático, Hatsune Miku é uma cantora virtual que tem muitíssimos fãs, divulga suas canções em clips de muitas visualizações no YouTube e realiza turnês em vários continentes atraindo multidões.

Mas, é preciso se atentar a isso, existe um detalhe básico na carreira de sucesso de Hatsune: ela não possui corpo físico e, logo, não pode ser sequer tocada por fãs ou admiradores. Parece sci-fi não é?

Porém, não, isso é uma realidade existente há quase 10 anos. Aparentando a idade de 16 anos, com 1,58 de altura e pesando imaginários 42 kg, a cantora hologramática é interpretada por Saki Fujita, uma desconhecida se comparada à fama de Hatsune.

Em outras palavras, desde seu lançamento em 2007, Hatsune Miku tem motivado não só as caravanas de fãs que a seguem como também questões socioculturais importantes de nossa época. O que leva o deslocamento de uma pergunta relevante como “o que é” para outro ângulo que questiona: “Quem é Hatsune Miku?

Para te ajudar a compreender este fenômeno que já dura quase uma década, nós separamos 4 lições que Hatsune Miku nos ensinou e ainda ensina sobre o cenário musical e tecnológico que vivemos no presente.

1. Hatsune Miku é, mais do que imaginamos, muito rentável 

O canal de YouTube de Hatsune tem aproximadamente “só” 385 mil inscritos. Isso poderia levar a imaginar que, sem tantos seguidores assim na rede, a cantora se reservaria a fazer sucesso no máximo em uma apresentação local ou nacional. Ledo engano: uma das provas que mostra quão rentável pode ser Hatsune aos seus criadores e produtores está justamente na vida fora da tela do computador que ela leva. O seu sucesso para além das fronteiras do Japão demonstra isso.

Só para se ter uma vaga ideia de seu potencial financeiro – e mesmo não tendo acesso às cifras -, Hatsune Miku fez, em maio de 2014, a abertura do show de nada mais, nada menos que uma das maiores Divas do Pop: Lady Gaga. Dá para imaginar quantos cantores famosos – e “corporificados” – desejariam isso? Além disso, outros exemplos como o alto número de downloads de músicas que podem ser baixadas e jogos como “Hatsune Miku: Project DIVA“, no PS3 e PS Vita, trazem a cantora ainda para mais “perto” dos fãs.

 

 

2. Fãs se apegam ao emocional – seja ele “palpável” ou não 

Seja o ídolo de carne e osso ou o formado por linhas e bits, certo é que sem fãs eles não existiriam real ou virtualmente. O caso de Hatsune Miku destaca bem como isso ocorre ao mostrar que é possível apenas pela emoção da música, de um estilo e de um modo peculiar de “ser”, transformar uma mera imagem holográfica em uma artista que arrebata multidões. Fãs que, ao lerem a expressão “mera imagem holográfica” podem se irritar e muito.

Que tipo de ídolo virtual move isso em alguém forte o bastante para fazê-lo frequentar shows, viver cada segundo ao lado da cantora em 3D e divulgar de modo espontâneo a arte desta celebridade? É exatamente este o ponto que marca profundamente os paradigmas de uma geração ultra conectada: pouco a pouco a separação entre a vida on-line e a off-line vai se dissipando de modo que, como nunca antes, o real e o virtual se misturam.

3. A tecnologia “futurística” está mais presente do que pensamos 

Sim, #BlackMirror é o aqui e agora, amigos. Aquela nossa visão fantasiosa de carros voadores e toda a tecnologia (muito divertida) que estava por dentro da residências dos Jetsons nos anos 60, pode até não ter se confirmado com 100% de precisão… Mas é inegável o quanto, em pouquíssimos anos, conseguimos acumular de descobertas e usos cotidianos de tecnologias de ponta que, há décadas atrás, seriam consideradas mera ficção científica.

Quem arriscaria dizer que duraria tanto tempo o êxito de um projeto tecnológico que não se detém aos palcos? Dificilmente alguém teria coragem para afirmar que nestes quase 10 anos Hatsune Miku seria uma diva do J-pop e, com igual importância, uma presença constante nos games, como mostra seu mais novo lançamento “Hatsune Miku VR: Future Live”:

 

3. Hatsune é a ponta do iceberg: outros “character vocals” de sucesso

Mais uma prova de que as tecnologias do futuro estão no presente já há tempos, é que além de Hatsune Miku, pelo menos outros dois projetos de “vocaloid”, da Crypton Future Media, já estão no mercado dividindo espaço e palco com outros artistas. Trata-se da dupla “Kagamine Rin e Len” (que aparentam 14 anos cada)e a cantora solo “Megurine Luka” (que aparenta ter 20 anos idade), que fazem parte da “Character Vocal Series” da empresa.

Megurine Luka e a dupla Kagamine Rin e Len, outros dois vocaloids japoneses, são a aposta para o cenário musical de cantores virtuais
Megurine Luka e a dupla Kagamine Rin e Len, outros vocaloids japoneses, são a aposta para o cenário musical de cantores virtuais (Divulgação/Crypton Future Media)

Outro ponto de destaque é que até mesmo um concerto com Hatsune Miku e Megurine Luka pôde ser visto pelos fãs de ambas as cantoras holográficas em 3D.

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