Treinamento de funcionários da segurança de Shinkansen ao lado de trens-bala a 300 km/h causa polêmica

Será que o medo é o melhor professor? Conheça o polêmico treinamento dado à equipe de segurança de uma das maiores operadoras ferroviárias do Japão.

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Treinamento polêmico

Um pequeno grupo de funcionários de uma das maiores operadoras ferroviárias do Japão, a JR West, foi convocado para sentar em um túnel ao lado dos trilhos usados ​​pelos trens de alta velocidade, Shinkansen.

Alguns destes funcionários disseram a seus chefes que não queriam participar. Mas seus medos foram deixados de lado com uma simples resposta: “Mas é a sua vez”.

Então, o grupo foi dividido em dois e separadamente conduzido para um pequeno vão entre os trilhos do trem, com cerca de um metro de largura por um metro de profundidade. E usando capacetes e óculos de segurança, eles esperaram.

De repente, 700 toneladas de vidro e metal são arremessadas a poucos metros de suas cabeças a uma velocidade de 300 quilômetros por hora. E ainda, este local foi escolhido para que o trem estivesse se movendo em sua velocidade máxima.

▼ A imagem abaixo mostra o quão perto os funcionários tinham que ficar destas máquinas mortais em alta velocidade.

Este é o “Treinamento de proximidade de 300 quilômetros por hora” baseado nas descrições dos entrevistados pelo site Mainichi Shinbun, que o fizeram.

É uma sessão de treinamento realizada regularmente para aqueles que estão na JR West, cujo trabalho está ligado à inspeção de segurança. A fim de que eles possam ver em primeira mão a importância de seu trabalho.

▼ Alguns trens Shinkansen circulam pela estação a velocidades de quase 300 quilômetros por hora.

Devida atenção à segurança

O treinamento começou em 2015, depois que uma placa de 71 cm X 62 cm, que não foi seguramente parafusada ao carro número dois de um trem-bala, caiu e danificou o carro atrás dele. Além do ajuste insuficiente, a falta de uma inspeção de segurança adequada também era responsável.

Um representante da JR West disse ao Mainichi, “É para dar aos funcionários que trabalham com vagões de trem uma oportunidade de experimentar e entender a importância do seu trabalho”. E acrescentou: “Nós prestamos a devida atenção à segurança”.

▼ A FNN News Report, com a CGI, compartilhou uma reconstituição do treinamento.

No momento, um “estagiário” informou que: “Podemos entender o perigo de parafusos soltos sem entrar no túnel. Isso é uma questão de colocar os funcionários em perigo”.

E informou ainda: ”O sindicato JR West também pediu que o treinamento fosse interrompido, mas ainda precisa receber uma resposta sobre o assunto”.

Reações online

Muitos internautas do Japão não conseguiram ver a utilidade desta forma única de treinamento.

“Infelizmente todo esse valioso treinamento será perdido quando um pedaço de metal atingir seu cérebro.”
“Eu acho que você tem o mesmo efeito quando de pé em uma plataforma de estação.”
“Isso parece mais com intimidação do que com treinamento.”
“Isso parece traumatizante.”

O especialista em teoria do erro humano na Universidade de Kansai, Professor Nakamura, tende a concordar com os internautas.

Ele disse ao Mainichi que o risco de levar os funcionários para dentro do túnel anula o propósito de reduzir o risco de erro humano. Ele acrescenta ainda que, o ato em si não tem sentido sem a devida educação para apoiá-lo.

Você também concorda com essas opiniões?

Fontes: Mainichi ShimbunHachima Kiko

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