Por dentro da realidade dos casamentos falsos no Japão

Casamentos falsos no Japão para obter um Visa ainda acontecem. Apesar do assunto ser abafado pela mídia, ainda é possível encontrar relatos de casos que não deram certo.

No dia 31 de julho, a polícia metropolitana de Tokyo revelou a prisão da canadense Shannon Wong, 29 anos, e Michinari Sasaki, 37 anos, sob acusação de terem falsificado documentos.

Eles registraram seu casamento em Yokohama em 2016 e são acusados de fraude. A mulher entrou no Japão com um visto de estudante em 2012 e conheceu Sasaki em uma convenção de cosplay naquele mesmo ano.

Ela pagou 700,000 ienes (U$ 6.300) em pagamentos mensais de 30,000 ienes para eles registrarem casamento e ela poder continuar no Japão.

Durante investigação do departamento de imigração, descobriu-se que eles não viviam sob o mesmo teto. Por isso, foram denunciados e presos.

Ao ser questionada de seus motivos de querer ficar no Japão, ela afirmou que gostava de performar cosplay de Lolita e o país era um lugar seguro.

Casamentos falsos no Japão

Segundo o Japan Times, falsos casamentos arranjados para estrangeiros obterem o visa era uma realidade em 2011.

Em relatório da agência de polícia nacional eles tinham descoberto 88 fraudes em casamentos entre os períodos de janeiro a junho daquele ano.

Ao total, 264 indivíduos foram pegos e 144 mantiveram sua cidadania japonesa.

Após o casamento, o estrangeiro precisa fazer uma solicitação de um visa especial para poder morar no Japão. Por conta das uniões falsas, os procedimentos são bem restritos e demorados do departamento de imigração.

Será preciso provar que o casamento é real e não falso. Durante o processo, alguns fatores já contam como negativos e a probabilidade do visto ser negado, são:

  • Diferença muito grande de idade;
  • Os noivos se conheceram através de agência especializada em casamento;
  • Quando os noivos se conheceram através de aplicativos e sites de namoro;
  • A futura esposa estrangeira possui baixa renda;
  • A noiva já foi casada e divorciada várias vezes com estrangeiros;
  • Quando o casal se conheceu em um local que sirva bebida alcoolica (bares e hostess);
  • O período de namoro ser muito curto;
  • Não ter fotos para provar o relacionamento;
  • Quando os noivos se casam sem cerimônia;

Quem precisa de provas para provar o casamento falso, existem empresas que alugam convidados e até parentes. O serviço não é ilegal, já que alugar pessoas é comum no Japão.

A justificativa para o serviço é para casais que não tenham muitos amigos e queiram muitos convidados em seu casamento.

Quando o casal é pego pelo departamento de imigração e a polícia, o estrangeiro deve justificar perante o Ministro da Justiça os motivos em querer continuar no Japão.

Dependendo da decisão, ele/a será deportado ou receberá autorização para continuar no país.

Esposa encomendada

Além dos casos de obtenção de visas, existem casos de japoneses idosos que escolhem esposas de outros países para não passarem seus dias sozinhos. Essas agências de casamento fazem sucesso no Japão.

As mulheres são de baixa renda e de países como Brasil, Filipinas, Thailândia, China, Siri Lanka, Coreia e Indonésia.

No ano de 2004, 82.741 mulheres da Filipinas entraram com as documentações necessárias para o visto de permanência.

Tráfico de seres humanos?

Portanto, como muitas dessas mulheres eram hostess em pubs filipinos no Japão, até mesmo o Departamento de Estado dos EUA emitiu um relatório sobre o tráfico de seres humanos.

Ainda que não se encaixasse precisamente no caso de escravo mercadoria, a quantidade de pessoas na mesma condição pedindo visto de permanência não passou batido.

Além disso, o relatório de 2004 fez o governo japonês endurecer a lei de imigração e fechou a rota de trabalho em pubs filipinos. Muitos negócios foram a falência desde então.

Há um grande esquema de pirâmide e acordos entre as estrangeiras e os proprietários. Além dos falsos maridos, que prendem mulheres e limitam suas liberdades.

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Portanto, os contratos (acordos) podem durar de três a cinco anos, como a maioria delas buscam sustentar suas famílias, acabam aceitando as péssimas condições de trabalho.

Embora não haja um número real de quantas mulheres filipinas ou outras estrangeiras vivam atualmente nessa condição, muitos casamentos falsos podem estar atrelados a essas relações contratuais informais.

Existem também casos de brasileiros nesse esquema. Os yonseis armam casamentos com descedentes da segunda (nissei) e terceira geração (sansei). Tudo para conseguir um visa.

É o que mostrou a reportagem do Estadão em 2016. Em troca, pagamentos mensais são combinados por períodos de três anos ou até a renovação do visto. Já que a obtenção do visto para os yonseis são restritos.

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Fontes: Estadão, Japan Times, Samurai Immigration, Immigration Bureau of Japan, Telegraph.

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