Kaijin Nijuu Menso: O monstro das 21 faces e o caso Glico

Essa história é bem complexa e parece ter saído de um filme de suspense em que tudo poderia acontecer. O monstro de 21 faces aterrorizou o Japão com cartas de ameaça e incertezas. Confira.

O sequestro

Quando o CEO da fabricante de alimentos Ezaki Glico foi sequestrado, as exigências para libertar Katsuhisa Ezaki pareciam surreais. O valor do resgate era de 1 bilhão de ienes mais 100 kg de barras de ouro.

Dois homens mascarados armados com pistola e rifle entraram na casa de Ezaki com a chave (roubada de sua mãe), cortou as linhas de telefone, amarrou esposa e filha e o sequestraram em 18 de março de 1984.

Surpreendentemente três dias depois, o empresário conseguiu escapar. Porém, nos próximos meses, a empresa passou a sofrer mais ameaças. 

Ameaças

Alguns carros da empresa foram incendiados e uma jarra de ácido com uma carta foi deixada na Glico.

A carta avisava que cianeto tinha sido distribuído misturado a doces nas lojas da Glico. A ameaça foi assinada como Kaijin Nijuchi Menso (monstro das 21 faces). Esse nome é de um vilão do romance de Edogawa Rampo.

Na época, eles decidiram retirar de circulação todo doce da marca Glico e foi desastroso. Houve um prejuízo de mais de U$ 20 milhões e mais de 400 trabalhadores tiveram que ser afastados.

A polícia japonesa ficou perdida e uma câmera de segurança em uma loja capturou um homem que não era funcionário colocando produtos da Glico nas prateleiras. Foi muito difícil conseguir uma identificação, pois a qualidade das imagens não era boa. 

Provocações

Além disso, o bandido misterioso tirava sarro da cara da polícia através de cartas. Em uma, ele escreveu:


“Queridos policiais estúpidos. Não mintam. Todo crime começa com uma mentira, como dizemos no Japão. Vocês não sabem disso?…Vocês parecem estar perdidos…



Olhos de raposa

As vendas de doces despencaram e o pânico tomava conta. Até que, no mês de junho daquele ano, o monstro das 21 faces disse que pararia suas ações em troca de 50 milhões de ienes.

Além disso, o dinheiro deveria ser jogado do trem em movimento na cidade de Kyoto. O local seria marcado com uma bandeira branca.

Policiais disfarçados estavam no trem, mas nenhum sinal foi visto. No entanto, um passageiro  descrito com olhos de raposa chamou a atenção por ter agido estranho, mas ele despistou o investigador.

Naquele dia nada aconteceu e outra tentativa de entrega foi feita em novembro, mas não deu em nada.

Mais ameaças

A partir de outubro, outras fabricantes de alimentos começaram a ser perseguidos. Entre as vítimas estavam as gigantes Marudai e Morinaga.

Uma carta foi enviada para a imprensa pedindo avisar a mães japonesas que 21 pacotes de doces da fábrica de Morinaga tinham cianeto. A polícia conseguiu encontrar as barras de doces com o veneno.

Porém, isso custou prejuízo enorme para a Morinaga.O curioso é que as barras com veneno tinham um aviso na embalagem: cuidado – tóxico.

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Em 1985, a polícia fez um retrato falado baseado nas imagens de vigilância, mas não houve nenhuma identificação, denúncia ou pista sobre aquele homem.

Retrato falado homem de 21 faces
Retrato falado

Até que a polícia chegou até o nome de Miyazaki Manubu em Tóquio. Um ativista que tinha exposto a Glico por jogar lixo industrial nos rios de Osaka em 1975.

A polícia alegava que uma fita de áudio que Manubu tinha gravado tinha palavras e jeitos semelhantes com as das cartas. Além disso, o pai dele era um chefe  da Yakuza. No entanto, Miyazaki tinha um álibi incontestável e foi liberado das investigações.

Reviravolta

Até que o superintendente chefe da polícia de Shiga, Shoji Yamamoto se suicidou colocando fogo em seu corpo. Foi então, que o monstro de 21 faces enviou sua última carta.


…Shoji Yamamoto morreu. Que atitude estúpida! Nós não temos amigos ou esconderijo secreto…O que a polícia vem fazendo nos últimos 1 ano e cinco meses? Não deixe criminosos como nós escaparem… Nós decidimos parar de tormentar as empresas de comida. Se alguém tentar chantagear empresas de comida, não somos nós, mas alguém tentando nos copiar. Nós somos caras maus. Isso significa que nós podemos fazer mais do que apenas perseguir essas empresas. É divertido levar a vida de um homem malvado…

O caso foi encerrado no ano 2000 e ninguém foi preso. Até hoje o caso levanta dúvidas e existem teorias sobre o famoso caso Glico.

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