Para onde vão as almas dos pets após a morte segundo o budismo?

Enquanto o shinto prega que todas as coisas possuem uma alma. O budismo diz algo semelhante. Porém com diferenças entre os reinos. Sendo assim, para onde vão as almas dos pets após a morte?

Quem já passou pela experiência de perder um amigo do reino animal, sabe o tamanho da dor da partida dessas leais criaturas que ajudam as pessoas nos momentos mais difíceis da vida.

Ainda que muitas pessoas não consigam compreender, é normal se perguntar para onde eles vão e se haverá um reencontro no pós vida.

Um tema controverso para budistas

Ilustração budista com animais

Assim como o cristianismo possui diversas correntes de fé e de interpretação da palavra de Cristo, de seus apóstolos e do antigo testamento, o budismo também possui diferentes escolas e fundamentos.

O debate entre escolas sobre o destino das almas dos animais após a morte no Japão existe a séculos. Além disso, as discordâncias parecem não ter fim.

Muitos monges afirmam que não é possível um ser do reino animal atingir a iluminação ou os reinos superiores. Outras defendem o contrário.

No Japão, é muito comum encontrar pessoas em templos pedindo para que seus amigos animais recebam um funeral adequado para sua passagem.

Mas são poucos os que aceitam esse tipo de solicitação. Na verdade, a maioria se opõe categoricamente. Eles dizem não ser possível e é até mesmo desrespeitoso com as pessoas realizar esse tipo de cerimônia.

Para entender essa negativa, é importante compreender os seis reinos do Samsara (clico de renascimento) existentes de acordo com o budismo e a realidade de cada ser nesse plano de existência.

Reino dos seres inferno: esse é considerado o pior de todos. Os seres estão ocupados demais com seu sofrimento. São incapazes de atingirem a iluminação.

Reino dos espíritos sofredores: o segundo é de sofrimento, considerado da mesma forma que o dos seres infernos. Estão ocupados demais com seu próprio sofrimento.

Reino animal: de acordo com algumas escolas, os animais são burros demais para conseguirem atingir a iluminação.

Reino humano: por se tratar de um reino onde o amor e o medo estão equilibrados, é considerado o ideal para atingir a iluminação.

Reino dos semi-deuses: o sofrimento e muitas limitações deixam de ser frequentes. Porém, os seres estão distraídos demais com as belezas da vida.

Reino dos deuses: assim como o dos semi-deuses, é considerado como uma espécie de paraíso. Logo, os seres estão igualmente distraídos com as belezas da vida.

Além disso, os monges que acreditam na impossibilidade dos animais conseguirem reencarnar na terra pura. Isto é, nos reinos superiores. Argumentam que eles não são capazes de recitar mantras e sutras.

Já os que defendem o oposto afirmam que estamos constantemente renascendo em todos os reinos. Além disso, os karmas, bons e ruins, não são perdidos nas transições de existência.

Aliás, de acordo com as palavras do próprio Buddha histórico, Buddha Sakyamuni, o príncipe Siddhartha Gautama, já tivemos tantas vidas que até mesmo uma formiga já foi nossa mãe.

Mas diante desse embate de interpretações, qual seria a ideia mais correta?

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Dissolvendo o ego

É preciso considerar que ser um budista não faz de ninguém um Buddha. Vale lembrar que dos milhares de discípulos que Sakyamuni teve em vida, apenas um conseguiu atingir a iluminação.

Zodíaco japonês

Levando em consideração o próprio Juunishi, os signos do zodíaco japonês, Buddha pediu ajuda de 12 animais para ajudar a humanidade no caminho da iluminação e não o oposto.

Durante o processo de iluminação, Siddhartha Gautama foi protegido pelo rei dos nagas da chuva e de outras ameaças para que ele permanecesse pacificamente em sua meditação.

Além disso, a história conta que o próprio Buddha Sakyamuni em uma vida passada foi um elefante que se sacrificou para alimentar um grupo de peregrinos famintos.

De acordo com suas palavras, todos os seres sencientes são seres iluminados. A iluminação, isto é, a budeidade, é a natureza de todos os seres.

A própria palavra Buddha vem do sânscrito e significa “desperto”. Aquele que acordou do sonho da ignorância onde existe uma separação entre um ser e outro.

Por tanto, a discussão sobre a possibilidade ou não dos seres do reino animal poderem ou não renascer na terra pura, de acordo com os próprios ensinamentos de Buddha, não fazem o menor sentido.

Para além, é importante ressaltar que desde o reino dos seres inferno, até o reino dos deuses, tudo continua fazendo parte do Samsara e da ilusão de Maya (Maya pode ser compreendido como a ilusão do “eu”).

Um ser desperto é alguém que conseguiu se libertar da roda do Samsara. Isto é, o ciclo ininterrupto de nascimento e de morte.

Seja no reino dos seres inferno ou no reino dos deuses. Todos têm o potencial de despertarem, independente das adversidades de cada um.

Já ouviu falar no conto do sábio chinês? É uma excelente reflexão sobre a natureza da vida, confira:

“O grande mestre taoista Chuang Tzu, depois de caminhar muito durante um dia ensolarado, deitou-se debaixo de uma amoreira e caiu em um sono profundo.

Começou a sonhar que era uma borboleta. Passeando pelos campos que acabara de percorrer, vendo as mesmas coisas que vira durante aquele dia.

Acordou de repente e disse para si mesmo:

  • Estou diante do problema filosófico mais complicado da minha vida. Quem sou eu?
  • Sou um homem que sonhou que era uma borboleta? Ou sou uma borboleta sonhando que transformou-se em um homem?”

Se despedindo dos amigos animais no Japão

Funeral de pet no Japão
Funeral de pet no Japão

Embora a maioria dos templos e monges budistas se recusem a realizar funerais para os pets no Japão, um dos templos mais famosos de Tóquio, o templo Kannoji em Setagaya, realiza esse ritual.

Existem outros templos no pais que também realizam rituais e cerimônias fúnebres para os amigos do reino animal, além de empresas especializadas.

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