Realidade virtual no Japão se mostra uma alternativa ao Hikikomori

Hikikomori é o termo usado para indicar pessoas reclusas da sociedade há mais de seis meses. Esse grupo está utilizando a realidade virtual no Japão para criar comunidades e vínculos com outras pessoas.

Você já assistiu ao filme Jogador N° 1 do diretor Steven Spielberg? Na película, o mundo real é uma distopia caótica. Como o mundo real é terrível, toda sociedade vive em uma realidade virtual em um jogo chamado OASIS.

Já no Japão, aqueles que não conseguem mais viver em sociedade estão criando esse “OASIS” onde passam a maior parte de seu tempo.

Em outras palavras, um mundo onde cada um é livre para criar sua própria identidade, um avatar mais próximo do personagem que a pessoa gostaria de ser no mundo real.

Hikikomori

Hikikomori

O número de hikikomori no Japão aumenta a cada ano. O portal Japan Times reportou em março de 2019 que os reclusos japoneses ultrapassam 1,1 milhão.

No entanto, a publicação informou que esse número pode ser ainda maior dado a dificuldade para realizar esse levantamento.

Atualmente, a maioria dos reclusos sociais são pessoas entre 40 e 64 anos (613 mil pessoas). Já 541 mil tem entre 15 e 39 anos.

A ocidentalização (ou modernização) do Japão desde a Restauração Meiji gerou crises identitárias profundas em um espaço temporal muito curto.

Fenômenos como o hikikomori e karoshi, por exemplo, são reflexos dessas drásticas mudanças sociais, comportamentais, políticas e econômicas vividas na sociedade japonesa.

VR: uma alternativa

Avatar

Apesar do termo Hikikomori ser japonês, não é apenas o Japão que enfrenta esse fenômeno (embora seja o país com mais número de casos registrados pelas autoridades).

Comunidades online

Em comunidades online utilizadas por pessoas socialmente reclusas do Japão existem cerca de três milhões de usuários no mundo todo.

Phio (nome do avatar, o entrevistado não quis revelar seu nome ao canal NHK), um youtuber hikikomori encontrou na realidade virtual uma forma de retomar sua vida social.

Após uma sequência de desastres em sua vida, tornou-se recluso por mais de dois anos. Durante esse período mal teve vontade de levantar de sua cama.

Quando conheceu as comunidades online de realidade virtual passou a ver um motivo para continuar vivo.

Ele já realizou um evento em março de 2019 com ajuda de seus amigos virtuais e reuniu mais de 125 mil pessoas online.

O sucesso do evento levou Phio e seus amigos a criarem uma empresa para organizar eventos na realidade virtual.

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Para pessoas que não conseguem conviver em sociedade, a realidade virtual pode ser um redutor de danos, segundo o youtuber.

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