KAGRA: Gifu termina detector de ondas gravitacionais

O ambicioso detector KAGRA só começou a se concretizar em 2006 quando as máquinas finalmente começaram a escavar o túnel onde hoje está o observatório de ondas gravitacionais.

No entanto, desde a década de 90, o Japão vinha trabalhando nesse projeto científico. Ao custo de cerca de U$ 16,4 bilhões, o observatório é o quarto laboratório do tipo no mundo e inseriu o país na vanguarda desse tipo de pesquisa espacial ao lado de EUA e Itália.

KAGRA

KAGRA vista de cima

Localizado a 300 metros no subsolo do Monte Ikenoyama na cidade de Hida, o Detector de Ondas Gravitacionais Kamioka, KAGRA, foi construído na antiga mina de Kamioka.

Instalações

Além do detector de ondas gravitacionais, o local já abrigava um observatório de detecção de neutrinos, o Super-Kamiokande.

O novo laboratório KAGRA é constituído por dois túneis de 3km de distância cada e que se cruzam formando uma espécie de triângulo equilátero.

Paralelo a um dos túneis, há um outro túnel em formato de L por onde as fontes de laser dispararão simetricamente luz aos túneis que percorrerá.

Como funciona

Ondas gravitacioanais

Em 1916, o físico alemão Albert Einstein publicou pela primeira vez a famosa Teoria da Relatividade.

Porém, foi necessário cerca de um século para que fossem criadas máquinas que pudessem medir as ondas gravitacionais propostas por Einstein no começo do século XX.

Para ser possível a detecção dessas ondas gravitacionais, o detector deve ficar no subsolo onde há mais silêncio e menos interferência (condições essenciais para a observação das partículas).

Quando o laser é divido por um espelho (-250 graus Celsius) e percorre os dois túneis, volta para o detector na intersecção entre os dois túneis de 3 km.

Câmara isoladora de vibrações

De maneira sucinta, enquanto a luz viaja é influenciada pelas ondas gravitacionais. Logo, as manobras e oscilações feitas pelo laser são calculados por um detector.

No observatório LIGO nos EUA em 2015 foi possível detectar a colisão de dois buracos negros com massa dezenas de vezes maior do que o Sol há 1,3 bilhões de anos luz de distância.

A descoberta rendeu um prêmio Nobel a três dos criadores do projeto LIGO em 2017. Porém, o observatório KAGRA possui novas tecnologias que permitirão uma observação nunca vistas antes.

Intranacional

O observatório KAGRA também tem parceiros na Ásia. Afinal, graças a investidores da Coreia do Sul e Taiwan a realização do projeto foi possível.

Esse moderno laboratório de pesquisa espacial trabalhará junto com os dois detectores LIGO dos EUA e um em Virgo da Itália. Os laboratórios testarão e validarão os experimentos de cada um dos laboratórios.

Por hora, Japão, EUA e Itália são os únicos países com laboratórios desse tipo no mundo. Com a tecnologia disponível no KAGRA, será possível ter uma nova compreensão sobre as ondas gravitacionais e suas implicações em nosso planeta.

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KAGRA foi o nome escolhido entre mais de 600 pelos cidadãos japoneses em uma votação aberta para batizar o detector de ondas gravitacionais. O nome faz referência a kami Kagura.

Finalizado em outubro de 2019, o observatório ainda está passando por ajustes e deverá funcionar completamente a partir de abril de 2020.

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