No-no Boys: nipo-americanos que negaram lealdade aos Estados Unidos

Em 1942, os EUA confinaram japoneses com visto permanente e nipo-americanos em campos de concentração. Durante esse período surgiram os No-no Boys. Alguns poucos se recusaram a jurar lealdade ao exército e a constituição americana.

No-no Boys

Três meses após o ataque a Pearl Harbor, o então presidente dos EUA, Frankin D. Roosevelt assinou a Ordem Executiva 9066 autorizando a detenção de todos os descendentes nissei e japoneses que moravam legalmente no país.

Durante a detenção, eles eram entrevistados por agentes do governo questionando lealdade aos EUA.

Embora alguns japoneses tenham concordado em lutar pelos EUA, muitos se recusaram a defender a bandeira americana.

O nome “No-no Boys” surgiu por causa da negativa em duas perguntas do questionário dos agentes do governo.

Pergunta 27: “Você servirá nas forças armadas dos Estados Unidos da América em combate, independente de onde for enviado?”

Pergunta 28: “Você jurará lealdade inquestionável aos Estados Unidos da América e defenderá fielmente os Estados Unidos de todo de qualquer ataque de forças estrangeiras ou doméstica renunciando toda lealdade e obediência ao Imperador japonês, governos estrangeiros, poder ou organização?”

Motivações

Os No-no Boys espalhados pelos EUA estavam inconformados com o arbítrio do estado motivados exclusivamente contra sua etnia.

Justiça, liberdade e proteção

Eles afirmavam que não tinham medo de ir para a guerra. No entanto, queriam que a Constituição e a Declaração de Direitos fosse respeitada, afinal, dependia da liberdade, justiça e proteção.

Ao serem confinados em campos de concentração, os nipo-americanos ficaram sem a liberdade, justiça e proteção. Por isso, prostestaram ao não jurar lealdade aos EUA.

Os No-no Boys eram formados pela segunda geração de descendentes de japoneses. Muitos tinham nascido nos Estados Unidos, portanto, tinham cidadania americana.

Seus pais era japoneses, mas tinham visto permanente para viver no país. Muitos desses jovens mal sabiam falar japonês e viviam a sua realidade nos EUA. Depois dos campos de concentração passaram a sofrer com questões de identidade nacional.

No campo Heart Montain, um jovem chamado Frank Emi formou o Fair Play Commitee (FPC) com outros jovens do campo que também se negaram a defender os EUA.

Frank Emi
Frank Emi

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Como resultado, Frank Emi e mais de 300 detentos de 10 campos diferentes foram condenados a um ano e meio de prisão na penitenciária no estado de Kansas.

Ao condená-los, o governo americano tentou moldar a opinião pública ao tentar fazer a sociedade acreditar que os nipo-americanos eram covardes e não patriotas.

Outros jovens, como Gene Akutsu foi encarcerado por mais de três anos em uma penitenciária federal no estado de Washington.

Retratações

Somente em 1947, os supostos crimes de guerra foram apagados dos registros criminais destas pessoas com o perdão presidencial de Harry Truman.

Além disso, segundo registros do arquivo nacional americano, 46 anos após assinar o ato executivo 9066, Ronald Reagan assinou o ato de liberdade civil de 1988.

Sob grave injustiça motivada por preconceito racial, histeria de guerra e falha nas políticas de liderança, o ex presidente pediu desculpas e ofereceu uma indenização de U$ 20.000 para cada sobrevivente.

Legado

Um dos jovens descendentes que respondeu sim para as questões 27 e 28 foi John Okada. Após seu serviço na força aérea dos EUA durante a guerra, ele conversou com um No-no Boy chamado Hajime Akutsu.

Livro No-no-boys

Essa conversa inspirou o romance No-no Boys de 1957. O romance tem como o protagonista Ichiro, um descendente nissei.

Seus pais nasceram no Japão, mas ele nasceu e vivia nos Estados Unidos. Após a ordem executiva 9066, ele entra em confilto emocional de identidade cultural.

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