Escola no Japão: pesquisa revela o que desmotiva estudantes

Apesar do estereótipo dos estudantes japoneses mundo afora, há uma profunda crise dentro do sistema e na escola no Japão. Saiba mais.

Pesquisa Nippon Foundation

Logo da Nippon Foundation

Uma pesquisa online voltada para os jovens foi feita. Realizada pela Nippon Foundation ao longo do ano fiscal de 2018, foi capaz de identificar com muito mais precisão os problemas enfrentados pelos estudantes.

Muito mais acertivo em comparação com os dados divulgados pelo Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia do Japão.

O Ministério utiliza um método mais burocrático e antiquado para a atualidade. Isto é, os conselhos locais coletam os dados diretamente da escola no Japão. Porém, são insuficientes para compreender o problema.

Afinal, o Ministério da Educação só leva em conta a abstenção escolar de alunos com mais de 30 dias de faltas ao ano.

Problema na escola no Japão

Aluno dormindo em sala de aula

Embora a existência de jovens japoneses longe das salas de aulas já seja uma polêmica em um país com um IDH (Indíce de Desenvolvimento Humano) tão alto, o maior deles sequer cabe em uma sala de aula.

Os pesquisadores da Nippon Foundation puderam observar, que o desânimo em comparecer nas escolas no Japão não está ligado simplesmente a instituição em si.

Querem ser ouvidos

Muitos estudantes não conseguem se adaptar a uma forma tão severa de repressão. Ou seja, a opinião individual dos jovens é absolutamente ignorada pelos pais e educadores.

Além disso, nos últimos anos há uma busca social (não se limita ao Japão) por uma educação cada vez mais precoce e ocupada.

Mesmo a educação sendo um pilar para o desenvolvimento de um ser humano, geralmente, não há uma preocupação, se a criança gosta ou quer seguir esse caminho escolar.

Somatização

Aqueles que cresceram sob essa influência “repressora” dos pais, acabam invariavelmente se reprimindo de forma inconsciente por um processo psicológico chamado somatização.

Esse processo é muito mais comum em jovens do ensino médio e superior. Afinal, é na adolescência e no início da vida adulta que as dúvidas e questionamentos sobre escolhas e comportamento costumam ser despertas.

O que desmotiva?

Com base nas respostas dos mais de 330 mil estudantes das escolas no Japão afetados por falta de motivação, a Nippon Foundation criou cinco grupos distintos.

1. Sentimentos reprimidos

Alarme

Os jovens desses grupos disseram que sentiam-se muito cansados pela manhã, tentavam acordar cedo para ir a escola, mas não conseguiam. Se sentiam mal quando iam, mas não sabiam o motivo.

Esse são os casos mais comuns de somatização. Ou seja, há uma resposta física para um desequilíbrio emocional e/ou psicológico.

De forma resumida, se um jovem não quer ir para a escola, mas é obrigado, não conseguir acordar ou sentir-se doente é uma resposta inconsciente a vontade reprimida.

2. Incompatibilidade social

Estudante com a cabeça abaixada na carteira

Este é o caso mais famoso: o bullying. As respostas mais comuns são a dificuldade de relacionamento com outros alunos, a desconfiança em relação aos professores e não sentir-se confortável em sala de aula.

Durante o período da adolescência, a aceitação social e valor do pensamento dos outros em relação a pessoa são fundamentais.

Esse tipo de aluno normalmente faz os seus trabalhos escolares sozinho e também sofre com o isolamento social.

3. Dificuldades escolares

Hoje em dia é comum ver como a tecnologia inova e renova o mundo. Porém, enquanto o mundo se ocupa com as tecnologias do futuro, poucos se lembram que o modelo escolar ainda é do século XVII (17).

Afinal, sob um olhar contemporâneo, o que serve para um, pode não servir para o outro. Principalmente quando a questão é aprendizado.

Não entendem

Muitos jovens japoneses afirmaram não entender o conteúdo de suas aulas. Por isso, não conseguiam tirar boas notas ou fazer provas.

Embora a disciplina social seja um exemplo, isto é, manter o ambiente limpo e considerar o outro antes de agir, o modelo escolar do Japão (e da maioria dos países do mundo) está absolutamente obsoleto para a realidade do século XXI (21).

Desde a metade do século XX (20), os psicólogos e psiquiatras compreenderam que cada pessoa possui uma forma distinta de aprender.

Como exemplo básico, alguns alunos só são capazes de aprender se copiarem o que está escrito no quadro negro. Outros só conseguem aprender ouvindo a explicação do professor.

Quando existem múltiplas formas de inteligência, um modelo único de aprendizagem irá prejudicar boa parte dos estudantes que passam a ver a aprendizagem como algo chato e massante.

Mesmo assim, existe uma grande pressão social e familiar sobre a vida acadêmica e profissional dos jovens japoneses (o que agrava o problema dos que não se encaixam no modelo de ensino japonês).

4. Questionamentos existenciais

Pessoa olhando para o horizonte

Alunos desse grupo normalmente não enxergam sentido em irem para a escola no Japão. Além disso, percebem a vida na escola infantil muito mais feliz, do que no ensino médio ou superior.

Esse grupo normalmente mascara seus verdadeiros sentimentos em nome da norma ou da repressão dos pais.

Mas esses jovens são os que amadurecem mais cedo. Além disso, possuem um pensamento crítico maior em comparação com a média.

Normalmente são alunos mais introvertidos e possuem forte noção de indivíduo e individualidade.

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5. Normas e disciplina

Esse grupo estão os alunos que detestam as regras da escola ou reclamam da dificuldade e duração das atividades extracurriculares (clubes escolares).

Embora muitas pessoas possam entender essas respostas como um forma de rebeldia, na verdade, revelam a ausência da preferência do indivíduo em relação a sua própria vida.

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