Cultura kawaii ajudou Japão a se recuperar após crise financeira

Por trás da aparência fofa que a cultura kawaii apresenta ao mundo existe uma poderosa indústria que ajudou a reerguer o Japão.

Kōdo Keizai Seichō

Depois da segunda guerra mundial e da reestruturação do estado japonês, o Japão protagonizou o que ficou conhecido na história como “O Milagre Econômico do Japão” (Kōdo Keizai Seichō).

Graças a uma série de esforços combinados, em especial a intervenção do estado, a economia japonesa disparou e cresceu vertiginosamente entre meados de 1955 até o final da década de 80.

Brasileiros que foram ao Japão a trabalho entre 1970 e 1980 devem se lembrar que naquela época o Japão era sinônimo de riqueza e prosperidade.

No entanto, os chamados milagres econômicos costumavam vir acompanhados da especulação financeira e criação de bolhas econômicas. E quando a bolha econômica estoura a crise é inevitável.

Bolhas econômicas

De forma sucinta, as bolhas econômicas se formam em um país quando há uma supervalorização de bens e propriedades. Ou seja, uma espécie de fraude.

Esses métodos de supervalorização que visam impulsionar a economia fazem com que, por exemplo, uma casa que valha X passe a valer X+Y¬, X+Y+Z ou até mesmo X2.

No entanto, mais cedo ou mais tarde os acionistas percebem que seus fundos de investimento não valem o que o mercado diz.

Além disso, acontece uma venda massiva de títulos privados e públicos. A consequência disso é conhecida como recessão.

Década(s) perdida(s)

Historicamente o Japão teve uma década perdida, ou seja, uma década sem crescimento econômico.

Naquele momento (década de 90) houve uma profunda depressão econômica e redução drástica na qualidade de vida da sociedade japonesa.

Muitas pessoas que se formaram nas universidades do país no final da década de 80 sonhavam com um futuro promissor no aquecido mercado de trabalho do Japão, mas caíram em um limbo social.

Porém, historiadores japoneses e acadêmicos de todo mundo dizem que o Japão teve duas décadas perdidas e que a recuperação econômica só começou após 2011.

E é justamente nesse recorte histórico que o kawaii se tornou uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento japonês.

A força da fofura

Se você, leitor, chegou até aqui e está perdido em relação ao que é kawaii, leia Por que praticamente tudo no Japão é kawaii? para entender melhor as origens dessa cultura.

Enquanto o Japão sofria com uma das piores crises econômicas de sua história, os produtos e a própria cultura kawaii também estava em declínio.

Nesse cenário desolador as empresas japonesas passaram a mirar o mercado internacional para alavancar a economia.

Como a cultura kawaii conseguiu se estabelecer ao longo dos anos como uma tendência entre os mais jovens, muitas empresas assimilaram essa estética para aumentar sua lucratividade.

Se o Japão teve anos ruins com a explosão da bolha financeira, poderia ser muito pior sem o advento do kawaii.

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Um turista estrangeiro não será capaz de visitar o Japão sem cruzar com alguma coisa kawaii, até as placas públicas de aviso e sinalização são fofas.

Placa da Hello Kitty

Do trem bala a parque temáticos inteiros dedicados ao kawaii, essa cultura se tornou um importante motor da economia japonesa e seu principal Soft Power (poder cultural de influência na comunidade internacional) no mundo moderno.

Interior shinkansen Hello Kitty

Quem assistiu ao encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016 viu esse Soft Power quando o primeiro ministro japonês Shinzo Abe apareceu como Super Mario anunciando que Tokyo sediaria os Jogos Olímpicos de 2020.

O kawaii pode até ter uma estética fofa e graciosa, mas no fundo é um titã com força e potencial de se tornar uma das principais culturas pop do mundo ao lado da Coreia do Sul, Índia e China nas próximas décadas.

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