Natalidade no Japão – quais são os motivos deste problema?

Nas últimas décadas, o Japão enfrenta um problema de baixa natalidade e apresenta uma das taxas mais baixas do mundo. Para se ter uma ideia, em um período de 100 anos, a natalidade no Japão caiu de um milhão para trezentos mil por ano.

Com uma população que majoritariamente só envelhece, a manutenção da sociedade e da economia é diretamente prejudicada. O déficit populacional não é exclusividade no Japão e muitos países enfrentam a mesma realidade por diversos motivos.

É uma tendência mundial, maternidade e paternidade acontecerem por volta dos 32 anos de idade, uma mudança brusca comparado a geração anterior. No Japão, ao analisar a gravidade do problema, é revelado outras dificuldades encontradas pelos jovens e população adulta do país.

Natalidade no Japão

Desde que o problema foi revelado, algumas pesquisas apontam que uma porcentagem significativa da população japonesa não sente falta de sexo. Elas também apontam o baixo índice de relacionamento sério entre os jovens. No entanto, culpar apenas estes fatores é um grave erro.

O Japão é um dos países com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Isso não quer dizer que a vida seja fácil, assim como em tantos lugares.

Revisão das leis trabalhistas

Na década de 90, o governo japonês revisou as leis trabalhistas e flexibilizou as condições de contratos de trabalho por temporada. Desde então, as empresas adotaram uma política de redução máxima de custos de operação.

Para atingir as metas, empresas passaram a contratar trabalhadores terceirizados ou por temporada, os chamados irregulares.

Entre 1995 e 2008, o número de trabalhadores regulares, ou seja, contratados integralmente para uma empresa diminuiu 3,8 milhões. Já o trabalho irregular aumentou 7,6 milhões.

Atualmente, cerca de 40% da população trabalhista ativa no Japão atua como terceirizado ou temporário. Desse total somente 20% consegue trocar regularmente de empregos.

Sociedade

O Japão costumava ser um país tão vanguardista quanto tradicionalista. Sua cultura hierárquica e patriarcal esperava que os homens se tornassem provedores do lar e da família. Enquanto as mulheres cuidariam do lar e dos filhos.

Aos poucos o governo japonês vai modificando este tipo de pensamento na sociedade, incentivando mulheres a trabalhar e homens a tirar licença paternidade. Porém a passo de formiguinha.

Jovens enfrentam problemas

Com as atuais dificuldades em conseguir uma boa posição bem remunerada no mercado de trabalho, muitos jovens não conseguem sequer sair da casa dos pais.

Envergonhados por não conseguirem um bom emprego, passam o dia em lan houses e dormem em hotéis capsulas, o único local que seu dinheiro pode pagar.

Apesar das mulheres ascenderem no mercado de trabalho, as condições que elas encontram é semelhante a dos homens em relação aos empregos e pior nas condições de salário.

Se um casal possui empregos irregulares, é provável que os pais se oponham a união. Além disso, cerca de 70% das mulheres japonesas afastam-se do mercado após a maternidade. Muitas sentem dificuldades ao regressar ou conseguir vagas em creches.

Além disso, um trabalhador irregular no Japão ganha em torno de 205 mil ienes por mês, o dinheiro é utilizado para pagar impostos, contas e dívidas de estudos, sobra muito pouco para uma só pessoa.

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Dificilmente um jovem irá se aventurar a ter filhos sem ter estabilidade de carreira e financeira. No entanto, ter estabilidade na carreira pode ser mais difícil do que parece.

A cultura de trabalho japonesa é muito forte e rígida em toda sociedade, com a queda na oferta dos empregos regulares, muitas empresas tiram vantagem de seus funcionários.

Assédio moral e exaustivas horas extras não remuneradas são comuns no país, karoshis, ou morte por excesso de trabalho é uma realidade que o governo tenta erradicar.

Para compreender melhor o que levou o Japão a um declínio tão acentuado na taxa de natalidade é necessário passar um pente fino na complexidade da cultura e sociedade japonesa.

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