Sokushinbutsu: monges que meditavam até mumificar no Japão (vivos)

A prática do Sokushinbutsu foi praticada no Japão pelos membros do Shingon, uma escola tradicional de budismo ao norte em Yamagata.

A chamada auto-mumificação era um processo que começava com o monge ainda vivo.

Sokushinbutsu

A prática originária da China foi proibida no Japão no século XVIII. O ritual não era nada fácil e centenas, talvez milhares de monges que tentaram o sokushinbutsu não completaram seu objetivo.

De todos os aventureiros pelo Japão, atualmente sabe-se de aproximadamente 28 monges bem sucedidos na prática.

De acordo com a tradição, o ritual dura 3 mil dias de preparação que o praticante seja literalmente mumificado vivo.

O intensivo ritual preparava o corpo e a mente, um misto de meditação e dieta. Nos primeiros mil dias, por exemplo, a alimentação diária se limitava a sementes e frutas. O objetivo era eliminar grãos e cereais.

Já nos próximos mil dias, os monges se alimentavam de cascas, resina e musgos de árvore. Essa dieta ficou conhecida como mokujikyo.

Um período da fome não especificado acontecia logo depois do mokujikyo. O objetivo era vivenciar o sofrimento físico enquanto o corpo eliminava água e gordura.

Afinal, água e a gordura são os principais responsáveis pela degradação do corpo após a morte. Portanto, eliminá-los era essencial para a mumificação budista.

Por fim, os monges eram confinados em espaços pouco maior que seus corpos, eles sentavam em posicão de lótus e bebiam o chá de urushi.

Após o período de fome e com o chá, o corpo pôde criar resistência natural a bactérias e insetos.

Depois de serem confinados, suas tumbas eram enterradas em carvão, com uma abertura para um canudo de bambu para entrar ar.

As tumbas ficavam enterradas por mil dias e então eram desenterradas. Os monges que estivessem em decomposição eram exorcizados e enterrados.

Já os que não mostrassem sinais de degradação, esses eram os bodhisattvas que conseguiram completar o ritual.

Aliviar o sofrimento

A prática do sokushinbutsu era considerado um sacrifício em pról da harmonia da humanidade, muitos morreram em vão, enquanto poucos tiveram êxito.

Em dos exemplos mais famosos, Shinnyokai shonin, do templo Dainichibo, era um fazendeiro local que acidentalmente jogou fertilizando feito de fezes em um samurai.

O homem acabou matando o samurai em luta corporal e foi ao templo Dainichibo e virou um monge. Anos depois, com o intuito de aliviar o sofrimento causado pela fome na região, ele decidiu se tornar um sokushinbutsu.

Urushi

laca-japonesa

Produzido há mais de 7,000 anos é feito de uma árvore chamada laca-japonesa. O processo de retirada da toxicodendron vernicifluum é minucioso e parecido com o do látex.

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Cortes diagonais são feitos no tronco e uma árvore adulta oferece apenas uma xícara de seiva e não deve ser tocada novamente por alguns anos. De tão precisoso e sagrado.

O contato com a pele com a toxina pode causar irritação de pele, pois é venenosa. A madeira da laca-japonesa pode ser esculpido, pintado, encarvado e moldado em peças artísticas também.

Shingon

Zhenyan (A verdadeira palavra), do vajrayana é a escola japonesa mais antiga e uma das maiores. Conhecido por suas vertentes esotéricas, suas práticas são difundidas no Japão.

Sokushinbutsu

Diversos templos ao norte do Japão, deixa os monges auto-mumificados à vista. Ao total 21 podem ser visitados espalhados pelas três montanhas de Dewa (Haguro, Gassan e Dewa Sanzan).

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