Licença paternidade no Japão é direito pouco aproveitado

Segundo notícia do Kyodo News, o governo decidiu aumentar o subsídio para empresas que oferecerem licença paternidade no Japão.

As empresas devem facilitar o benefício aos homens e encorajar chefes a serem mais compreensivos.

Meta licença paternidade no Japão

Em 2010, apenas 1.38% dos homens tirou a licença. Em 2017 foram 5.4%, mesmo com a campanha de incentivo publicitária de 2 bilhões de ienes gastos pelo governo japonês. A meta é que a porcentagem chegue a 13% até 2020.

Subsídios

Pequenas e médias empresas recebem entre 570.000 a 720.000 ienes para a primeira licença paternidade de um funcionário. Enquanto isso, grandes empresas recebem entre 285.000 a 360.000 ienes.

O ministério do trabalho planeja adicionar mais 100.000 ienes a esse valor para cada funcionário do sexo masculino em pequenas e médias empresas para aumentar a iniciativa. Enquanto as empresas de grande porte receberão metade desse valor.

As medidas estão sendo tomadas desde que o primeiro ministro Shinzo Abe implementou um incentivo a entrada de mulheres no mercado de trabalho e mais suporte aos homens que saírem de licença.

Resistência

Cena de filme japonês
Cena do filme Tal pai, tal filho

A cultura do trabalho ainda é forte e existe resistência por parte de contratantes e funcionários. É uma questão a ser trabalhada.

Homens não se sentem confortáveis em sair de licença e não existe uma rede de apoio, por isso, os incentivos do governo são fundamentais.

Apesar de ser um direito, a iniciativa ainda não e bem vista entre colegas e chefes. O papel do homem na sociedade japonesa ainda é bem definido como provedor e não alguém que fique em casa cuidando de um filho.

A opinião de muitos é que a licença seja uma desculpa para os homens descansarem em casa. A lei versus realidade ainda causa um empecilho.

Realidade atual

Segundo artigo do Japan Times, 70% dos homens não ajudam com tarefas domésticas ou participam da criação dos filhos atualmente.

Ainda assim a sociedade está em processo de mudança. 80% dos estudantes de graduação do sexo masculino gostariam de tirar a licença paternidade quando tiverem filhos no futuro.

Enquanto 90% das mulheres afirmaram desejar ajuda de seus futuros parceiros nesse sentido.

O assunto gera atenção da mídia japonesa de forma positiva nos últimos anos. Hirozaku Matsuno, ex-ministro da educação, declarou que o mundo corporativo e a sociedade deveriam prestar mais atenção a importância do papel do homem na criação dos filhos.

Casal com filho no Japão

O ginecologista obstreta Song Mihyon relatou a importância da conexão entre homens e mulheres para prevenir depressão pós-parto. Afinal, a maior causa de óbito de mães de primeira viagem é o suicídio, segundo o Japan Times.

Direitos

A licença paternidade é um direito e pode cobrir até 12 meses (até a criança completar 1 ano), segundo legislação japonesa. No entanto, a média real fica entre sete dias a três meses. A exemplos de relatos.

Para ter direito, o homem deve ter trabalhado na mesma empresa por pelo menos um ano. Durante a licença, o governo paga 2/3 do salário pelos primeiros seis meses e metade nos próximos seis meses.

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Segundo relatório da UNICEF sobre licença paternidade, o Japão oferece em média 30.4 semanas de licença paga.

Confira o relatório integral disponível em língua inglesa https://www.unicef-irc.org/publications/pdf/Family-Friendly-Policies-Research_UNICEF_%202019.pdf

Se quiser saber todos os benefícios concedidos pela lei, acesse o pfd do ministério do trabalho com dados sobre a licença paternidade no Japão (apenas em inglês) https://www.mhlw.go.jp/english/policy/affairs/dl/05.pdf

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