O impacto social com o aumento de 10% dos impostos no Japão

No dia 1º de outubro de 2019 passou a vigorar o aumento de 10% nos impostos no Japão. Pode até parecer pouco, mas a mudança trouxe consigo um grande impacto social no país.

Na semana anterior ao reajuste, as lojas japonesas de departamento registravam um boom nas vendas de seus produtos.

Este cenário mudou e pouca coisa ficou de fora do aumento: os alimentos. Embora a atitude pareça sensata, outros itens básicos não foram contemplados.

Homem fazendo compras
Créditos: Kiyoshi Ota/Bloomberg

Se para uma parcela da população isso representa apenas um pequeno ajuste no orçamento, para outra isso pode significar não ter onde morar ou o que comer.

Nem tudo o que reluz é ouro

Homens sentados na rua

Olhando as ruas das cidades japonesas, as lojas, arquitetura, planejamento e serviços, a impressão é que o Japão é um conto de fadas.

Porém, para além dessa visão superficial do país, há uma realidade paralela e praticamente invisível na sociedade: a pobreza.

Os números impressionam. Em 2015 o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar divulgou que 15,6% da população japonesa vivia na linha da pobreza.

Dados e curiosidades sobre a pobreza no Japão

Depois da bolha econômica do Japão, cerca de 900 mil pessoas graduadas não conseguiram ter estabilidade financeira e se tornaram o que ficou conhecido como “geração perdida”.

Além disso, a maioria das mães solteiras japonesas e crianças vivem na linha da pobreza. Em 2010, 32% da população feminina entre 23 a 64 anos e 25% da população masculina da mesma faixa etária também enfrentavam a mesma realidade.

Dos mais de 16 mil sem tetos do Japão registrados em 2009, 35% tinham acima de 60 anos.

O impacto dos impostos

Dinheiro em notas e moedas

Apesar da existência de pessoas sem teto no Japão, é extremamente incomum encontrá-las nas ruas vagando e pedindo esmola, como em países como Brasil e EUA, por exemplo.

Boa parte (não todos) dessa população vive em cybercafés, isto é, durante o dia saem para trabalhar ou procurar um emprego e a noite retornam aos estabelecimentos para dormir.

Homem morando em cybercafe

Algumas pessoas vivem há anos nessa situação. Mas agora com o reajuste nos impostos, há uma preocupação generalizada sobre as dificuldades em conseguir alimentos e continuar vivendo nesses pequenos espaços.

O preço médio semanal desses cybercafés era de JP¥ 10.500,00. Com o reajuste de 1° de outubro o valor pode ser superior aos JP¥ 11 mil. Uma diferença de mil ienes mensais.

As famílias de baixa renda também estão aflitas. Embora os alimentos não tenham sido taxados em 10%, outros produtos básicos foram.

Produtos de higiene pessoal, como sabonetes, cremes, escovas dentais e papel higiênico estão causando um grande dano nas frágeis economias familiares.

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Conta que não fecha

Boa parte desse novo problema social acontece pelo envelhecimento da população e a queda na taxa de natalidade.

Esse déficit reflete diretamente na arrecadação de impostos. Como consequência, o governo não teve alternativa a não ser introduzir esse imposto para arrecadar mais dinheiro e manter as contas do estado saudáveis.

Ainda é cedo para saber exatamente qual será a dimensão do impacto da nova política de impostos do Japão.

No entanto, com a precarização trabalhista do país (e do mundo), os empregos temporários são cada vez mais comuns.

Muitos já sentem na pele e por vezes precisam decidir se comprarão comida, produtos de limpeza ou de higiene pessoal.

Aqueles que vivem nos cybercafés temem ter que viver nas ruas por não serem capazes de pagar os custos do serviço e ainda se alimentar.

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